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Ducati Multistrada 1200 Enduro - TESTE
 

  
  
20/05/2016

No último Salão de Milão, na Itália, a Ducati, marca da casa, apresentou a versão Enduro da Multistrada 1200, derivada do modelo que surgiu como uma motocicleta de aventura, mas mais focada na estrada de asfalto – a performance na terra ficou em segundo plano. Agora, mais de dez anos após o lançamento da Multistrada, com o evidente o buraco de um modelo com maior capacidade off-road e a clara intenção de abocanhar parte da fatia de mercado da BMW e Triumph, a marca italiana decidiu apresentar o seu modelo enduro. 


Aproveitando a grande mudança que a Multistrada recebeu recentemente, lançou a versão com vocação mais \\\"dirt\\\". E decidiu realizar o primeiro teste oficial em sua terra natal, mais precisamente na Sardenha. Antes de falar sobre esse evento, apresentamos as características da Multistrada 1200 Enduro e as principais diferenças para o modelo on-road.


Especificações – O que o novo modelo possui diferente do modelo mais on-road? A mistura da habilidade para todo terreno com a tecnologia de ponta, além do tradicional e lendário design Ducati.


O motor é o tradicional Testastretta DVT (Desmodromic Variable Timing), L-Twin, de 1.198,4 cc, injeção eletrônica (corpos elípticos, que equivalem a 56 mm, com Ride-by-Wire) e refrigeração líquida, capaz de gerar 160 cavalos de potência máxima (a 9.500 rpm) e torque máximo de 13,9 kgfm (a 7.500 rpm). O sistema de escapamento é em aço inoxidável e o câmbio tem seis velocidades. Posso antecipar que uma das características deste motor é que já a 3.500 rpm, mais de 70% do torque (13,82 kgfm) máximo está disponível.


Há quatro modos de pilotagem: Touring, Enduro, Sport e Urban. No modo Touring, a disponibilidade de potência é total, mas entregue com suavidade e progressividade, além de contar com ótima intervenção dos sistemas de controle de tração (DTC), wheeling (DWC) e ABS, e configuração média nos ajustes das suspensões, visando mais conforto. 


No modo Enduro, são disponibilizados somente 100 cavalos de potência, com o DTC permitindo o destracionamento, para máxima tração na terra, DWC desabilitado e ABS atuando somente na roda dianteira (nível 1). As suspensões são reconfiguradas para superar terrenos difíceis e irregulares, com funcionamento mais \\\"macio\\\".


A potência total volta no modo Sport, com respostas mais rápidas e vigorosas, além de baixa intervenção do DTC e DWC, ABS (nível 2) permitindo a elevação da roda traseira e performance esportiva (mais firmes) das suspensões. Finalizando, no modo Urban a potência é limitada a 100 cavalos, com alto nível de intervenção do DTC, DWC e ABS, e suspensões configuradas para superar os obstáculos da cidade.


O chassi é em ferro, treliçado, com medidas e geometria diferente da Multistrada standard (veja mais a seguir).


As suspensões são eletrônicas, semiativas, com o sistema Ducati Skyhook Suspension (DSS) EVO, que atua em bengalas da Sachs, com 48 mm de diâmetro, e monoamortecedor da mesma marca, ambos gerando 200 mm de curso. Compressão e retorno são constantemente ajustados quando em funcionamento, com o objetivo de minimizar as oscilações do conjunto e reduzir vibrações para o piloto, gerando maior conforto e segurança. Cada modo de pilotagem recebe um pré-ajuste eletrônico, modificando o comportamento do sistema. O DSS trabalha com o DTC e o ABS.


Quanto aos freios: disco duplo dianteiro – 320 mm de diâmetro e pinças monobloco Brembo com quatro pistões – e disco traseiro com 265 mm de diâmetro e pinça com dois pistões. O ABS é de última geração, chamado de \\\"Cornering ABS\\\", que trabalha de forma combinada (dianteiro e traseiro) e otimiza o poder e a segurança da frenagem em situações críticas, como com a motocicleta inclinada.


Seguindo para os pneus, foram escolhidos modelos da tradicional e lendária marca italiana Pirelli: Scorpion Trail II, nas medidas 120/70 ZR 19 (dianteiro) e 170/60 ZR 17 (traseiro), com opção para o modelo Scorpion Rally.


Complementando a parte eletrônica, possui o VHC (Vehicle Hold Control), sistema que evita a motocicleta se desloque ao sair da imobilização em uma ladeira íngreme, e Cruise Control. Possui oito níveis de intervenção do DTC e DWC, e os respectivos pré-ajustes para cada modo de pilotagem podem ser personalizados.


O painel com tela de 5 polegadas e tecnologia TFT se adapta com a luz ambiente e muda o layout das informações conforme o modo de pilotagem ou preferência do piloto. Mais legal é o Multistrada Link (com Bluetooth), um app que permite você gravar parâmetros antes, durante e depois da aventura em seu smartphone. Velocidade, ângulo de inclinação, consumo de combustível, modo de pilotagem, marcha usada etc. podem ser consultados a cada trecho da sua jornada, além de permitir inserir comentários e fotos como num diário de bordo. Melhor: tudo isso pode ser compartilhado com os amigos.


O banco pode ter mais alturas: os originais 870 milímetros em relação ao solo ou 890 mm ou 850 mm opcionais. O peso em ordem de marcha é de aproximadamente 254 quilos, boa parte devido à capacidade do tanque de combustível, 30 litros, que oferece grande autonomia.


O modelo apresenta acessórios diferentes, em pacotes especiais. Para as longas viagens e aventuras, o pacote Touring oferece alforjes de alumínio com travas, guidão Touratech e manoplas aquecidas. O pacote Enduro oferece faróis suplementares e acessórios de proteção Touratech. Já no pacote Urban: top case de alumínio da Touratech, porta USB e \\\"bag\\\" para o tanque de combustível. Por fim, no pacote Sport, destaque para o escapamento especial de titânio da marca europeia Termignoni, para-lama dianteiro em fibra de carbono e tampas especiais da embreagem e bomba d’água.


A fábrica informa que os modelos passaram por testes rigorosos e não esconde os números, como 150 mil quilômetros rodados em rodovias e 10 mil quilômetros no off-road.


Diferenças entre as versões standard e Enduro – Como disse anteriormente, esta nova versão da Multistrada possui diferenças marcantes para se adequar ao off-road. Nas medidas, por exemplo, a  versão Enduro possui 31 mm a mais de distância livre do solo; 1 grau a mais de cáster (25º), 16 mm a mais de off-set, 4 mm a mais de trail (110 mm), 65 mm a mais de distância entre-eixos (1.594 mm), novo braço oscilante (\\\"convencional\\\" e mais longo, resistente e rígido), 30 mm a mais de curso das suspensões (200 mm), suportes de guidão 50 mm mais altos, novo cubo da roda traseira (mais resistente), amortecedor de direção, tanque para 30 litros de combustível (ante 20 litros na standard), protetor do motor maior e reforçado, pedaleiras em com dentes (para performance off-road) e cobertura de borracha removível, silencioso posicionado mais para cima e protetor do silencioso (garupa) mais longa, além do citado diâmetro da roda dianteira, 19 polegadas (ante as 17\\\" na versão standard). Vale lembrar que parte da carenagem lateral é construída em alumínio, enquanto no modelo normal é de plástico.


A oportunidade chegou - Depois da análise de suas características, restava somente pilotar esse “monstro” on/off-road, e para isso contamos com a colaboração da própria fábrica, que viabilizou a participação de algumas revistas nacionais no primeiro teste oficial do modelo. A região escolhida não poderia ser mais adequada: Sardenha, ilha no Mar Mediterrâneo, região autônoma da Itália meridional, com mais de 24 mil metros quadrados e mais de 1,6 milhão de habitantes. A capital é Cagliari.


A maior parte da costa é alta e rochosa, composta por montanhas e colinas de 300 a 1.000 metros de altura. O ponto mais alto da ilha é Punta La Marmora (1.834 metros) e, conforme a história, suas rochas são as mais antigas da Europa, do período pré-Cambriano. Viajamos no final do inverno, quando encontramos uma temperatura amena. Mas no verão a temperatura pode superar os 40O C, ocasionando frequentes incêndios na região.


Vestígios humanos são datados de 150 mil a.C. As civilizações foram diversas, destacando-se a dos fenícios, depois cartagos, romanos, império Bizantino, árabes, catalães e outros. Somente em 1861 ela foi incorporada ao reino da Itália. A região é uma das menos povoadas do país, devido aos frequentes assaltos de sarracenos na Idade Média, que tornavam as costas inseguras, além de áreas pantanosas das planícies costeiras. 


Vale destacar que, em virtude da tranquilidade e clima, é uma região com muitos homens centenários, com idades igual ou superior a 110 anos. Outra curiosidade é que no norte da ilha existem dois dialetos, \\\"sassarês\\\" e \\\"galurês\\\", além de outras nas demais regiões.


Mas chega de história e vamos ao que interessa, o teste, e o dia seria dividido com terra e asfalto, sendo que para a parte da manhã estava programado o teste off-road, e para depois do almoço, o teste na estrada de asfalto.


Enfrentando a terra - O nosso primeiro contato com a nova Multistrada 1200 Enduro foi na terra. Depois de um rápido briefing com dicas importantes, todos se encaminharam para as motocicletas. Após os ajustes necessários, o grupo com mais de dez jornalistas partiu para enfrentar um percurso técnico com mais de 70 quilômetros.


Percorremos poucos quilômetros de estrada asfaltada e rapidamente adentramos no percurso de terra, composto por subida e descida de montanha. O terreno da trilha estreita era um pouco arenoso, com muitas pedras pequenas e algumas grandes, além de trechos com lama. Mas a trilha tornou-se mais difícil com a velocidade empregada pelo guia –acompanhá-lo de perto não foi fácil. Claro que a região é lindíssima, atraente para o olhar, mas boa parte da trilha era acompanhada de um penhasco, e foi difícil acelerar sem se desconcentrar com a bela paisagem.


Após chegar no topo da montanha, despencamos com as mesmas dificuldades e mais algumas canaletas, o que aumentou o nível técnico. Terminamos a descida e, quando tudo indicava que era o fim, voltamos pela trilha, o que exigiu muito preparo físico dos pilotos, pois todo o traçado tinha que ser realizado em pé na moto, postura que oferece mais controle. E no final, uma grande subida com o mesmo piso – areia e pedras pequenas e grandes –, meia volta e descida. Não foi fácil, mas realmente o percurso na terra foi incrível e emocionante.


O novo modelo da Ducati se comportou muito bem nesse duro teste. Apesar do visual robusto, ela é ágil e é fácil de controlar. Claro que o conhecimento de como se posicionar em determinadas sessões foi essencial para uma pilotagem segura e rápida, como nas curvas fechadas com subida na sequência. Contudo, ela pode ser comandada facilmente. E com a ajuda do grande motor, ela vai muito bem na terra. Achei a frente bem sensível e leve, e acredito que ela poderia ser mais firme, principalmente em um terreno com muitas pedras.


O motor é forte, mas a entrega da potência é suave e progressiva, fundamental para a pilotagem na terra. O modo de pilotagem selecionado foi o Enduro, que diminui a potência do motor para 100 cv. Procurei andar em segunda marcha, para conhecer melhor o traçado e o comportamento da motocicleta. A pilotagem foi tranquila e rapidamente me senti à vontade, aumentando a velocidade aos poucos. O comportamento linear do motor foi fundamental para isso, afinal de contas estamos falando de um propulsor de 1.200 cilindradas! No meu caso, a segunda marcha foi dominante, e a terceira caiu bem nos trechos de alta.


O conjunto de suspensões também impressionou. Suave e eficiente, o sistema apresentou ótima performance, mesmo nas grandes imperfeições do terreno e superando com boa performance as pedras maiores que brotavam do piso. A dianteira funcionou bem, condição para uma pilotagem mais eficiente, e o amortecedor traseiro absorveu bem os obstáculos. A tração sempre estava presente.


Os freios foram muito eficientes na terra. No modo Enduro, o ABS funciona somente na dianteira, e isso foi fundamental nas frenagens, afinal de contas o terreno mesclava areia, chão duro e pequenas e grandes pedras, além de canaletas. Curvas muitas fechadas estavam presentes em quase todo o traçado, e o ABS foi fundamental para não cometer erros, lembrando que ao lado havia um penhasco.


Contribuíram para uma pilotagem mais rápida e agressiva os pneus Pirelli Scorpion Rally. Na calibragem correta, eles mantinham a motocicleta tracionando, mesmo quando se dava mão no acelerador ou nas frenagens.


Resumindo, em mais de 70 quilômetros de terra e quase quatro horas de pilotagem, não tomei nenhum susto, mesmo na segunda volta, quando o grupo imprimiu um ritmo mais forte. Apesar da robustez e peso (perto dos 250 quilos), a Multistrada 1200 Enduro foi eficiente nesse percurso desafiador. Acredito que poucos proprietários enfrentarão as dificuldades que passamos, mas acredito que esse era o objetivo, concluir que esta motocicleta está pronta para encarar os percursos mais duros e técnicos, que exigem muito da motocicleta.


Da terra para o asfalto – Retornamos para o hotel por volta das 12 horas e, após tomar banho, almoçar e relaxar um pouco, por volta das 14 horas estávamos novamente equipados para a segunda parte da programação. Cada um dos pilotos jornalistas pegou sua motocicleta, já com pneus street, esperou pelos ajustes necessários, incluindo a altura do banco – a Ducati oferece mais duas medidas –, e partimos para outra aventura: as rápidas e belas estradas da região, com inúmeras curvas, muitas fechadas. Tudo em alta velocidade e, claro, com o visual incrível da costa da ilha.


Seriam duas voltas em um percurso, totalizando 140 quilômetros. A primeira volta foi para reconhecimento e nos acostumarmos com o comportamento da motocicleta, já na segunda volta todos tiveram mais liberdade para acelerar. Foi a oportunidade de utilizar os outros modos de pilotagem, e é notável a mudança de comportamento da motocicleta com a alternância dos modos.


Novamente o motor impressionou. No modo Touring, a entrega de potência é suave e progressiva, mas tem vigor e torna a pilotagem tranquila. Sendo a estrada estreita e com muitas curvas de alta velocidade, utilizei marchas mais baixas, sendo que a quinta ou a sexta foram chamadas somente nas poucas grandes retas.


A agilidade desta motocicleta é incrível, aceitando grandes inclinações em curvas fechadas – e raspando a ponta da bota em determinados momentos, apesar da grande distância livre para o solo. A mudança de posição é incrível, notadamente nos diversos “esses” da estrada. Mais adaptados, em muitos casos nem usávamos os freios, simplesmente você deita a moto e acelera. A motocicleta passa muita segurança. Mesmo utilizando os alforjes, ela é muito ágil. Claro que com eles carregados a situação será outra, mas ainda assim você fará curvas com muita facilidade. A dirigibilidade desta motocicleta é excelente! 


As suspensões se mostraram eficientes, contribuindo para o bom desempenho da motocicleta. E novamente as curvas foram marcantes para entender o funcionamento do sistema. Tanto a dianteira como a traseira são firmes. Nos momentos de frear a motocicleta, ela manteve-se grudada no asfalto e equilibrada, possibilitando abusar mais nas inclinações. O conjunto é bem equilibrado e afinado, atuando de maneira firme, segura e previsível, em perfeita harmonia com a estrada – lembrando que no modo Touring as suspensões têm amortecimento \\\"médio\\\", mais macio que no modo Sport e mais firme que no Urban. Apesar de pouco solicitados, quando necessário os freios foram perfeitos, sem sustos e passando muita confiança e segurança na pilotagem. 


O para-brisa tem duas regulagens. Na estrada, o posicionamento mais alto segura bem o vento e não incomodou na pilotagem. Não sei se você notou, mas pilotei na estrada com capacete com pala e com goggle, e o para-brisa realmente desviou bem o vento em altas velocidades.


Por volta das 18 horas nós retornamos para o hotel. Estávamos todos cansados, alguns esgotados, afinal de contas foram quase 8 horas pilotando esse novo modelo em seus extremos, na terra e no asfalto, e posso afirmar que não foram nada relaxantes, e sim com muita adrenalina, colocando a nova Multistrada 1200 Enduro em testes duros e exigentes. Claro que esse teste não seria diferente, afinal de contas a Ducati queria mostrar todo o potencial e o desempenho da sua motocicleta. Se levada ao extremo, ela não “afina”, e encara todos os desafios com muita tranquilidade.


Agora é aguardar essa obra-prima desembarcar no mercado nacional. Apesar de nada ter sido divulgado, comenta-se que ela pode chegar no segundo semestre, quando, quem sabe, teremos novamente a oportunidade de acelerá-la. Com certeza s Multistrada 1200 Enduro será um grande sucesso. Qualidades ela tem de sobra.


 


ESPECIFICAÇÕES


Motor\\\" Testastretta DVT, L-Twin, 8V, refrigeração liquida


Cilindrada: 1198,4 cc


Alimentação: injeção eletrônica Bosh, corpos elípticos (equivalentes a 56 mm)


Transmissão: 6 velocidades


Suspensão dianteira: Sachs, invertida, 48 mm de diâmetro, 200 mm de curso, ajuste eletrônico de compressão e retorno, DSS


Suspensão traseira: monoamortecedor Sachs, 200 mm de curso, ajuste eletrônico de compressão, retorno e pré-carga, DSS


Freio dianteiro: disco duplo, 320 mm de diâmetro, pinças radiais monobloco Brembo c/ 4 pistões, ABS


Freio traseiro: disco simples, 265 mm de diâmetro, pinça Brembo c/2 pistões, ABS


Potência máxima: 160 cv a 9.500rpm


Torque máxima: 13,9 kgfm a 7.500rpm


Tanque de combustível: 30 L


Peso (total): 254 kg

Fotos
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  

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